Nasci num lar de são paulinos roxos e me tornei corintiana e só essa diferença entre torcidas já dava um blog pelas provocações e pelo inconformismo pelo que eles chamam de vira casaca, mas de acordo com meu pai que é torcedor fanático e tem teorias para tudo nesse mundão de Deus a única explicação plausível seria porque eu sou muito doida, mas de alguma maneira em meus meios diferenciados de raciocínio acho que time é escolha, uma simples questão de gosto.
Claro que em muitas casas rola a tradição familiar e você acaba acaba indo com a maré, pai palmeirense, filho palmeirense, mas a diferença no meu caso é que meu pai nunca poderia imaginar que eu fosse gostar de futebol porque na cabeça dele isso não é coisa de menina, mas ao contrário de tudo isso me envolvi e não houve mandos nem desmandos que me tiraram desse caminho e é meio aquela coisa, se você torce pelo Santos, será Santos até morrer.
Falo do futebol, mas pode ser qualquer outra paixão, tem gente que gosta de carros ou de corridas, ou de animais, coisas que despertam suas paixões e isso é importante, ter paixão nas coisas que queremos, liberdade de amar o que mesmo indiretamente ligado a nós, nos faz bem.
Confesso que acompanho mais a tabela dos campeonatos quando o meu time está na liderança, não me interesso pelos outros ganhadores e sei que isso é coisa de má perdedora, ok eu confesso, mas não há nada mais delicioso do que disputar indiretamente com os jogadores, vibrar com os gols, com as declarações, ver o choro da vitória e se emocionar quando as coisas não dão muito certo para o nosso lado.
Agora vocês imaginem acordar um belo dia e descobrir que isso não vai mais acontecer, que o seu time se foi...
Desmantelar uma equipe por conta do mercado da bola é uma coisa, agora morrer todo mundo em um acidente chega a beirar um filme de mau gosto.
Não sei se a comoção foi porque a Chape era pequena e vinha guerreando entre os grandes como um grande, abrindo seus caminhos próprios, avançando e se mantendo forte durante todo o seu tempo de atividade, ou se foi porque essa tragédia nos trás de volta a dura realidade do mundo movido pelo dinheiro, pela avareza e decisões tomadas apoiadas simplesmente pela sorte, que podem de uma maneira ou de outra afetar a todos nós.
Eu não vou emitir opiniões sobre o que motivou o piloto a se comportar da maneira que se comportou porque eu não vejo explicação para tamanha falta de discernimento, mas vou falar sobre o resultado desta coisa horrível com essas pessoas.
Apareceram pessoas até então anônimas que de uma maneira ou de outra, acalentaram o coração de quem perdeu seus entes queridos, como o menino e o seu pai que ajudaram a encontrar os destroços no meio da mata, foram enxotados de lá pelos bombeiros, pois eles acharam que o menino estava saqueando os pertences das vítimas, mas saíram de lá depois que já tinham ajudado a resgatar cinco pessoas...
A mãe do goleiro Danilo que ficou um dia inteiro com notícias divergentes que davam conta da morte e da não morte de seu filho e que depois de receber no final do dia a confirmação da morte do menino, se resignou e achou em seu coração, espaço até para consolar um repórter, isso depois de mandar seu coração para todas as vítimas do jornalistas que estavam acompanhando o time nessa viagem e ainda abraçou a torcida que tanto amava o seu filho, como uma mãe faz com seus pequenos quando eles estão inconsoláveis pelas duras lições que a vida lhes prega.
A população da Colômbia que foi participar da homenagem a Chape e que fez um espetáculo de humanidade e solidariedade...
Todos os times, os jogadores, que prestaram o seu respeitoso minuto de silêncio, usaram o brasão da Chape, homenagearam da maneira que podiam pessoas que uma hora ou outra podiam fazer parte de seus cotidianos, porque o mundo da bola é pequeno...
Todos os que pararam suas atividades para emanar energias positivas para os desencarnados e para os seus entes amados que ficaram aqui inconsoláveis....
A imagem do primeiro avião chegando com os corpos no Brasil foi muito triste e parece que o dia chorava pelos mortos que ali chegavam...
Foi de cortar o coração...
Agora para quem ler este texto e julgar a minha fala entristecida e pensar que há coisas mais importantes para se falar, lembrem-se que a ganância e a falta de caráter conteve esse time por ora, mas nos ajudou numa importante lição, mesmo no meio das maiores tragédias, não podemos descuidar de nossos interesses por um minuto, temos que ficar atentos a nossa volta, amar quem está perto e vigiar quem está longe e quando eu digo vigiar me refiro a tudo e a todos e talvez um dia encontremos caminhos melhores a percorrermos.
Neste jogo saímos todos perdedores.
Nenhum comentário:
Postar um comentário