Viajei mais do que imaginei, comprei mais livros do que li, mais sapatos do que precisava e agora olhando minhas estantes físicas e as da memória, sinto como que se só as coisas que comprei ou que dei ou as que dividi tenham sido caracterizadas como quem eu sou, a minha pessoa nunca foi consumida em sua essência, pode ser porque nunca deixei ninguém chegar perto o bastante para que eu pudesse me despir dessas coisas e pudesse ser só essência e chego até a crer que não considere a minha essência assim tão real afinal de contas...
Acho que não devo ter muito para dar além de minhas futilidades consumistas e de ideias firmes sobre assuntos que todo mundo faz de questão de nunca falar.
Levanto minha voz ao falar e isso não é raiva, é o meu jeito, curvo minhas têmporas e pareço nervosa ao defender uma questão e isso não é nervosismo é vício de comunicação, falo com as mãos, me mexo inapropriadamente e falo coisas inapropriadas muitas vezes, quebro os protocolos, aponto os erros e engulo seco quando os meus são apontados...
Sou antipática, intrometida, anti social, mas na eminência de qualquer sentimento amoroso, amo tanto que não cabe no meu peito, aí eu nunca esqueço os toques, as palavras bem ditas, as confidências, as mentiras, as decepções, mas nunca vou te mal dizer, posso até querer, mais nunca vou usar contra você os seus segredos, eles morrem comigo pois sou leal aos meus amores, não aos meus amados e que fique claro que isso significa que sou leal a mim e ao que eu escolho sentir em meu coração, não me vendo para plateias e nem para palmas, não sou artista de ilusões baratas e sorrisos falsos, uso tudo até secar, dispo a minha alma com a vontade dos adolescente que insiste em não me deixar nunca.
De vez em quando, para retificar os erros cometidos tento abrir os livros que nunca li e mais uma vez não os leio e novamente, compro sapatos que talvez eu nunca use, mas isso pode ser também um pouco de medo de descobrir mais nos mundos literários que não ouso navegar ou de andar mais pelo mundo real que eu não gosto de fazer parte.
Passaram todos à minha frente e eu estou aqui, um caco, mas não me diminuiu nunca a estima por ninguém que conseguiu tudo o que não tive, somente sigo crendo que minha hora de ser feliz possivelmente seja agora abrindo o meu coração e respirando em cima da corda bamba, não sei.
Eu poderia ter sido mãe, esposa, amante, vizinha, gerente, quem sabe até presidente, mas fiquei aonde as minhas limitações me colocaram e não adianta mais eu ficar tentando alcançar sonhos que nem sei se eram meus...
Os meus frutos podem ser os textos, meus amores os comentários de satisfação que recebo de quem os lê e a presidência seja a minha vida sendo guiada por mim, sem ter que pedir desculpas pelo meu jeito e nem tendo que pisar em ovos ou cambaleando para ser aceita.
Se eu não aprendi a lidar com as pessoas e se isso te atinge, minhas sinceras desculpas, nunca foi intencional o confronto, mas não me calo para te agradar, me calo para me livrar de mais e mais confusões que as minhas falácias insiste em me colocar.
Hoje eu queria estar em frente ao mar e pedir a ele por quem eu ofendi, por quem eu não compreendi ou por quem eu magoei e creio que se viesse uma resposta de minha mãe com certeza seria que eu preciso parar de pedir para controlar o que não tem como ser controlado, ela provavelmente me pediria para me acalmar e seguir em frente, pois então, em frente eu vou, construí um tipo de vida meu e muitas opiniões que as pessoas não entendem e muitas vezes nem concordam, mas é tudo meu, não me desculpo por isso, peço somente que um dia você entenda que ser eu não é tão ruim assim...