sábado, 19 de novembro de 2016

See someting, say someting...

E quando você acha que nada mais pode te surpreender, acontece um terremoto e duas ondas gigantes no Oceano Índico invadem alguns países e matando milhares de pessoas e você pensa, nossa quanta desgraça, mas não havia nada a ser feito, a natureza tem o seu curso e temos que estar preparados para enfrentar a sua força de vez em quando.
Isso provavelmente deve ser um evento isolado.
Aí chove demais no Rio de Janeiro e acontece o maior desastre natural de nossa história, com vários deslizamentos, inundações, cidades inteiras arrasadas pela força da água e a única coisa que podemos fazer é chorar pelos que se foram e torcer para que chova menos no próximo ano, afinal são coisas que acontecem como consequência das convergências das massas de ar, El Ninõ, La Ninã, todas essas coisas incontroláveis, por isso devemos nos conformar...
Só tem um probleminha, a natureza dá sinais de seus movimentos e os captamos pela tecnologia que temos hoje em dia então, em pelo menos um desses incidentes que relatei, o número de vítimas poderia ter sido menor se a informação tivesse chegado para estas pessoas com antecedência.
Por exemplo, no caso do tsunami, os tremores foram no centro da Terra e mesmo tendo acontecido no meio do oceano os sismologistas sabiam que pela magnitude do mesmo as chances de ondas gigantes se formarem eram enormes, mas ninguém nas cidades afetadas foi avisado com antecedência e em nenhuma praia havia sirenes de aproximação de tsunami, o pior é que aquela área é um local de tremores submarinos constantes que deveria ter todo um sistema de proteção, mas não tinha...
Mas hoje em dia a coisa está diferente, sistemas de aviso foram instalados, os centros de controle de terremotos atualizados e pelo menos, se a terra resolve dar uma sacudida, as pessoas terão a chance de se abrigar, ou de correr ou de esperar pelo pior, mas tudo dentro de suas escolhas.
Agora aquiiiiiiiii, as coisas são bem diferentes...
Comecei a escrever este texto por conta da situação de São Paulo e de meu bairro especificamente que todo ano tem uma tragédia, claro que dada as devidas proporções em relação a tragédia asiática descrita acima, ou seja pelas árvores que caem ou pelos alagamentos e aí não é que o Rio de Janeiro toma as manchetes de novo com os mesmos problemas de alguns anos atrás e o pior, como sempre, pessoas morreram e diga-se de passagem, não por conta da inadequação do Estado em corrigir as falhas que eles podem controlar, mas sim, porque choveu muito...
Se há como prever a quantidade de chuva que cairá em um local específico e se essa informação for passada corretamente ao governo, por que não são tomadas atitudes antecipadas para evitar que pelo menos, vidas não sejam perdidas?
Para quem é novo, a lembrança que devem ter é de somente o Morro do Bumba e a favela que lá se encontrava toda destruída, mas se vocês tiverem um pouquinho mais de experiência na vida, assim como eu, devem se recordar que essas tragédias no Rio aconteciam todo o verão e eram amplamente veiculadas, por isso há um histórico e ninguém faz nada a respeito.
E eu, analisando a situação como um todo, tento entender, por que para os governantes é mais fácil deixar as coisas como estão do que tomar ações e resolver este problema, desalojando pessoas que moram em situação de risco, reforçando a limpeza das áreas e decretando áreas de perigo onde quer que o solo esteja comprometido, para que analisamos tanto e não colocamos em prática quase nada?
Aí vocês me dirão que não podemos desalojar, que a conscientização custa caro, que o Estado não tem dinheiro para construir moradias para realocação, mas para mim é pura preguiça.
Preguiça de mudar o status quo, preguiça de auxiliar a população, preguiça de disseminar ideias, é mais ou menos assim, preciso que esse povo saia daí, vamos deixar então, a natureza seguir seu curso e trabalhar em nosso favor, o morro desaba, a chuva arrasta tudo pela frente aí o Luciano Huck vai lá, dá moradia para duas ou três famílias e o povo esquece, assunto resolvido.
A coisa é tão circense que se você procurar os programas deste apresentador, em 2011 ele presenteou uma moradora que teve o seu cachorrinho arrastado pela correnteza com um adivinhem... Um cachorrinho...
Na verdade ele não precisava ter dado nada, ele não tem essa obrigação moral e cívica de realocá-la e tentar fazer a vida dessa pessoa voltar ao mínimo de normalidade, essa função é do governo e quando o governo falha, abre-se a brecha para que todo o tipo de assistencialismo seja perpetuado, inclusive o midiático, onde choramos litros e litros diante da televisão que nos faz o favor de reprisar um milhão de vezes a cena do cachorrinho sendo carregado pelo mar de água e lama que invadiu a casa que eles moravam.
E gente, precisamos nos lembrar de que quando eu falo em tragédia é tragédia mesmo, é terra em cima de árvore, que fica em cima de carro, que fica em cima de casa, que fica em cima das pessoas, mais de 300 pessoas desaparecerem e mais de 35.000 pessoas ficaram desalojadas.
Caminhamos a passos largos para a nossa extinção e creio que daqui a mais ou menos cinco milhões de anos, os marcianos encontrarão estes corpos enterrados e os usarão para tentar entender como eram os "habitantes antigos", como eles se alimentavam, como viveram e como morreram...
Serão os "HOMENATUAISPITECUS" e se esses marcianos forem evoluídos como civilização, entenderão que a Terra nos castigou porque fizemos questão de não respeitá-la e que fomos engolidos pela nossa inabilidade em sermos civilizados e vivermos em sociedade, farão cálculos e não entenderão o porque daquelas pessoas estarem alojadas em áreas tão perigosas e concluirão que formos extintos porque éramos inábeis em processar as leis básicas da física, seremos lembrados na história pela morte e não pela vida de merda que somos obrigados a levar por conta da má administração pública.
Espero que chova menos e que essa mensagem seja interceptada por alguma nave espacial, não quero entrar para os autos marcianos como parte disso, quero me eximir de culpa e provar que pelo menos alguns de nós não contribuíram para essa extinção circense.

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