terça-feira, 22 de novembro de 2016

Dia do músico...

Sabe o que é crescer em um lar musical?
É da hora!!!
Sempre teve de tudo, Ella Fitzgerald, Fafá de Belém, The Police, Burt Bacharach, Fagner, Michael Jackson, Fleetwood Mac, Elis Regina, Toniquinho, Ari, Hamilton, Dito Grosso...
Toda hora que alguém chegava em casa, meu pai colocava as suas fitas VHS com os shows que ele fazia, ou então os discos que ele já havia gravado, coisas novas, lançamentos da gravadora onde ele trabalhou, ele aproveitava e contava as histórias sobre os artistas, sobre as gravações, as viagens, as melodias e toda a casa transpirava musica.
Ter avô, tios e o pai no mundo da música ajudou a refinar meus gostos musicais e me mostrou uma das primeiras formas de me expressar nesse mundão e como eu era uma menininha tímida e não conseguia  encontrar a minha voz onde eu estava inserida, eu usava e abusava desse meio de comunicação indireto, cantarolando com o coração as músicas que eu achava que eram feitas para as minhas dores, as minhas alegrias, as minhas vontades.
Lembro que quando o meu pai me deu de presente meu primeiro microfone eu comecei a cantar e a falar com todos através dele, eu dormia com ele ao meu lado e acordava cedinho para poder ficar o maior tempo que eu pudesse cantando.
E quando eu ganhei meu primeiro walkman junto com uma fita cassete com uma compilação de músicas que eu amava, detalhe todas em inglês e eu não entendia nada, mas que me tocavam o coração de uma maneira tão foda que eu chorava ao escutar os acordes de piano no início de The best that you can do, trilha do filme Arthur o Milionário Irresistível e sem nunca ter assistido ao filme, eu chorava pensando que se a música era tão bonita, só podia falar de amor.
Virei cantora de jingles aos seis anos pois, naquela  época, estava em falta no mercado uma criança com voz de taquara rachada...
Fui inserida nesse mundo onde fiquei até a hora que a voz de taquara já não era mais um business.
E de um sonho da minha mãe e de uma certa inclinação minha a ser uma artista também, fui aprender piano, tarefa que se provou impossível para mim, afinal não tinha a postura, nem o virtuosismo e muito menos o ouvido para tal tarefa.
Desisti e o piano ficou encalhado aqui em casa e ele era meio que uma frustração geral de todos que olhavam para mim, um dos frutos de um dos melhores bateristas do país, mais que não tinha um dom natural para ser aflorado.
Pode ser que aquele não era o meu instrumento e que a minha maneira de encantar o mundo seja eu ficando quietinha e deixando quem realmente tem talento brilhar..
E como brilharam hein...
Bem, alguns brilham até hoje, outros partiram, mais tem uma nova safra na família porque não é só porque eu não fui ganhadora no sorteio dos genes que os meus parentes não tiveram essa sorte!
Tem o Celso, tem a Patrícia Lúcia e assim a música não nos larga, não nos deixa, somos parte de uma família abençoada pelo ritmo, pela harmonia, então deixem vir as baterias, os saxofones, as vozes, amamos demais tudo isso e nos sentimos orgulhosos de nossa pontinha nessa história.
Dia do músico, aquele que toca no coração de quem sente através de seus sons, daqueles que respiram com suas notas, dia também daquele que me criou e que me trouxe até aqui, despertando em mim, dos grandes amores que eu já senti na minha vida, o amor a ele e o amor a todas as melodias desse mundo.
Parabéns a todos vocês!

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