quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A sua opinião sobre mim... é sua

Quando aquela mulher pegou o papel e começou a escrever vários nomes com um lápis preto eu senti que ali eu ganharia a oportunidade da minha vida, afinal eu estava precisando me abrir, entender o que estava acontecendo, mas não foi bem isso.
Na verdade eu recebi um papel (que guardo até hoje) com vários nomes do que hoje sei serem de Florais de Bach.
Eu fique perplexa com aquilo, um era para me acalmar, outro para me reestruturar e eu não entendi bulhufas, estava em um processo de negação que ainda duraria anos para eu pensar em tratar, porque na real, eu não sabia que eu tinha um problema, eu achava que a minha tristeza, a minha eloquência, os meus medos, a minha soberba, o meu drama, tudo isso era por que minha mãe e meu pai são assim e eu, como fruto do meu ambiente, não tinha decepcionado os meus genes queridos.
Quando eu fui a primeira vez em minha terapeuta, fato que lembro até hoje, eu só chorei.
Na verdade, o que me levou até ela foi uma série de relacionamentos mau sucedidos que só tinham em comum uma coisa, eu mesma, então, com a ajuda de um bom amigo, comecei a vê-la para tentar acertar os pontos nesta questão.
Mau eu sabia que o meu problema nada tinha a ver com as pessoas que eu me relacionava, mas sim, a forma como eu me relacionava com elas e como eu colocava tudo nas mãos de pessoas que não tinham como suprir as minhas carências e engraçado, nunca me vi como o tipo carente de ser e durante muito tempo e na verdade até hoje, tento reconstruir a Carol e elevar a minha existência nesta terra abençoada a um nível pelo menos mais aceitável para mim mesma.
E em anos de terapia ainda me pego discutindo sobre como controlar coisas até que simples como o meu tom de voz, minha linguagem corporal e como lidar com as tarefas difíceis e as emoções que elas me incitam sem deixar todos os que me rodeiam completamente loucos no processo, por que sejamos honestos, hoje eu sei que ninguém precisa aturar caras feias ou reações cheias de stress da minha parte, isso é um progresso e creio que em um primeiro momento eu tenho que cuidar de mim e me restabelecer para depois encarar e aceitar as consequências dessas minhas atitudes.
Claro que tem dias mais fáceis, outros nem tanto, mais o ponto é, como lidar com o que as pessoas pensam e algumas até, verbalizam sobre mim?
Eu tenho caráter, sou honesta, disciplinada e isso somente já me faria uma boa companhia em qualquer relacionamento, mas as pessoas se tornam intolerantes a alguém que não consegue manter pra si os sentimentos de frustração e eles nem precisam mesmo, não estamos aqui para lidar com as emoções alheias o tempo todo, mais onde fica a coerência entre o que eu acho de você e o que você realmente é?
Eu não tenho uma suavidade constante e reajo demasiadamente rápido as grosserias do mundo, mas isso é realmente um problema seu?
E olha, não estou me eximindo de culpas aqui, eu falo, eu vou, eu volto, eu insisto, desisto, chacoalho as estruturas ao meu redor e as minhas também e no final ainda mando um foda-se para todos, pode isso gente?
Mas eu sou responsável pela imagem que constroem de mim?
Minhas atitudes falam sobre mim e no dia que eu to infernizada eu posso decidir o meu destino todinho com uma decisão super impulsiva e nem pensar nisso durante dias e quando eu finalmente entendo a reação exagerada, aí já é tarde para voltar atrás e começa a minha agonia pela dor que eu sinto em fazer as coisas com tanta paixão.
Eu me odeio às vezes, mais também sei que sou a minha melhor pessoa e que é com essa pessoa que vou ter que conviver até meu último suspiro.
Acordo, levanto, assumo os meus erros, refaço as conexões com quem eu preciso e tento esquecer quem eu percebo que me incita sentimentos e sensações que me tiram o controle e não pensem que é um caminho fácil, mais eu aceito e tento perdoar as minhas escolhas...
Hoje eu entendo que essas coisas são uma dificuldade para mim, não para todos, algumas pessoas tem uma certa serenidade nas relações, eu estou moldando as minhas aparas, tentando serenar...
Minhas lutas são minhas e não espero que ninguém entenda nada disso que eu falei, somente espero que as pessoas não percam tanto tempo julgando a minha persona, porque eu não sou de fácil entendimento e pessoas com pouca paciência podem se perder em devaneios e opiniões muito erradas sobre o que eu realmente sou.
A vulnerabilidade das minhas reações é o que fez muitas vezes muita gente ir embora mais o pior que sempre aconteceu é que as que ganharam a minha fraqueza, se aproveitaram dela para me silenciar, para me desestruturar ainda mais, por isso é difícil demais eu acreditar todas as vezes que as intenções e relações humanas são verdadeiras.
Sou contraditória, preciso de atenção, mas não ligo para as pessoas (estou falando de telefone, ok), sou péssima digitadora e por isso o whattsup não me favorece muito a não ser que você possa me ouvir e sou direta, até já ouvi que essa minha atitude extremamente transparente faz com que as pessoas tenham receio de chegar em mim, ou que fujam assim que se aproximam...
Aí eu falo para vocês, mais e os medos que os outros me incitam, ninguém nunca levou em consideração?
Sofri uma injustiça absurda uma época da minha vida com uma pessoa que era abusiva, preconceituosa e que usou da minha fragilidade emocional para me colocar ainda mais medos e mais incertezas, quando eu achei que a justiça tinha sido feita e essa pessoa tinha saído para sempre da minha vida, o dano desta experiência foi que perdi uma de minhas melhores amigas, ela nunca ouviu o meu lado da história e foi envenenada pelo mesmo veneno que quase me fez sucumbir... Nessa época eu voltei a fumar, coisa que eu não fazia há cinco anos e me senti uma perdedora de mão cheia e ao contrário do que dizem, que o que não te mata te deixa mais forte, desenvolvi um pânico absurdo com relação ao novo e luto diariamente para não cair no vitimismo e na tristeza que me abraçou àquela época.
Já sei com quantos paus se faz a minha canoa, mas não conto para ninguém, cada um deve se conhecer e saber se a canoa que está sendo construída será forte o suficiente para carregar a você e aos seus medos, alegrias, frustrações, etc, cada um sabe como navegar esta canoa e a minha hoje é mais resistente, procuro somente manter a manutenção para que os furinhos, não se transformem em vazamento e um potencial naufrágio, como já aconteceu algumas vezes.
Por isso, antes de pensar que sou forte ou fraca, bocuda ou muito calada, ou antes de julgar se eu sou ou não perfeita para a sua companhia e se afastar ou me afastar, me pergunte o que me move e o que me congela, que à partir daí, você terá uma boa chance de entender que no final das contas, eu sou o que eu sou e não a opinião que você formou sobre mim, não interessa o motivo.
A sua opinião sobre mim, ainda é só sua.

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