Agora passou, mas eu realmente não entendi a quantidade de gente se revoltando nas redes sociais por conta de declarações de jornalistas sobre gêneros musicais, ou expressando sua não concordância com a cultura de que temos que gostar todos da mesma coisa e quem não gosta é automaticamente bombardeado com declarações ofensivas e taxado de qualquer tipo de adjetivo negativo corrente, com direito até a campanha com vários hashtags e declarações de ódio.
É, mas a liberdade de expressão se encaixa até nisso... Podemos e temos o direito de expressarmos nossa revolta, é direito constitucional, mas será que a mesma revolta não poderia ser focada também em questões sociais que nos rodeiam e que nos afetam diretamente?
Por exemplo, campanhas com vários hashtags para acabar com abusos de poder, falta de atendimento médico digno, luta por direitos igualitários, perder o medo de mostrar a sua cara e ir contra o sistema que está destruindo o nosso futuro e o futuro dos filhos alheios...
Eu, por exemplo, moro em uma área de incidência frequente de doentes de dengue e como não poderia deixar de ser, amigo meu foi contaminado, uma pessoa da minha família foi contaminada, mas está valendo... Vamos estocar água limpa e nos preocupar somente com o criadouro de dengue do vizinho e deixar os nossos vereadores discutirem se devemos ou não condenar o consumo do fois gras... Sem entrar no mérito da alimentação forçada desses animaizinhos que fornecem o seu fígado para que os ávidos por iguarias nojentas se deleitem de pura gordura em forma de cocô, cada um com seu gosto bizarro, mas aí o nosso prefeito que se diz um admirador dessa iguaria, proíbe o consumo do produto e nossos vereadores acabam usando uma medida que diz que agora podemos comer esse produto... Isso mostra o nosso comprometimento com coisa nenhuma, mostra que as manipulações políticas só servem para vender jornal e que agora provavelmente esta manobra tenha ajudado os produtores a ganhar mais dinheiro, claro que o kilo do fois gras deve ter aumentado...
Bom, cada um na sua, mas os problemas da cidade são outros, enquanto eles estão cuidando dos patos e gansos super alimentados, as pessoas morrem por que o mosquito da dengue simplesmente não é erradicado. Essa não é só culpa da prefeitura, o governo faz a sua parte ignorando o problema e a população, além de não cobrar de seus representantes, os vereadores por atitudes reais de combate a esta praga, ainda mantém os mesmos hábitos há anos de deixar água parada, atitude essa que é quase tão inacreditavelmente idiota, como gastar água potável para lavar carros, calçadas e afins em época de estiagem, afinal de contas a culpa não é nossa que o governo e a Sabesp não tomaram as iniciativas necessárias antes da crise e agora eles que se virem. NÃO!!!!!!!!! Nossa obrigação é achar os culpados pela situação caótica, cobrá-los, mas também poupar água para que ninguém sofra com a sua falta.
Bom, mas chegou o frio e agora o mosquito hiberna, os casos diminuem e só vamos nos lembrar disso quando o calor voltar, aí a discussão recomeça, gente morre a prefeitura e o governo negam que existe epidemia e repetimos o ciclo de ignorância generalizada. Qual a hashtag para isso?
Agora outra pergunta fácil de responder, qual a hashtag para o menino de rua que estuda usando a luz da lanchonete? Por que esse caso não é importante? Isso é a realidade nossa de cada dia e deveríamos nos importar com isso.
Esperei uma postagem que fosse sobre isso e não veio... Cadê os indignados com essa situação? Não é possível que ninguém queira falar sobre isso, afinal estamos falando há dias sobre os jovens e a tal da discussão da maioridade penal, avidamente escolheu-se um lado e ao invés de explicarmos nossas opiniões, nos preocupamos em diminuir a opinião do coleguinha, sem saber .
Parece uma grande competição para ver quem tem a melhor frase final... Vejam, nunca o melhor argumento ou a melhor ideia, mas sim a melhor frase de efeito. Veja, defendo minhas ideias com unhas e dentes, mas quero escutar o que o outro tem a me dizer, isso eu já insisti por aqui que é o que forma seres pensantes, não somos manada, não precisamos seguir o que os outros nos impõem como certo.
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