quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

I am Malala

Imaginar a vida condicionada a ser somente um cabide para a Burqa ou Burca, como preferir deve ser simplesmente desgastante... Essas duas terminologias (que são na verdade a mesma coisa) designam vestimentas que cobrem até os olhos e são usadas pelas mulheres que vivem principalmente no Paquistão e no Afeganistão sob o controle do Talibã. Deve ser extremamente opressor olhar para o mundo através de uma tela... É de conhecimento geral o que esse regime faz e qual o meio de "trabalho" deles, mas a opressão não é somente sobre a aparência e nem somente sobre a obrigação dos casamentos forçados e outras tradições estranhas, eles não querem que as meninas estudem. Entendo que a educação é poder e um dos conceitos que tenho mais arraigados em minha alma é que de tudo o que essa vida me der ou de tudo o que eu conquistar, a única coisa que eu não perderei é o que aprendi... E nem estou falando que sou uma grande conhecedora de assuntos relevantes para o mundo, mas o que eu aprendi vai comigo até o finalzinho de minha existência e considero isso o meu maior tesouro. Se eu não soubesse ler e não soubesse escrever possivelmente seria ainda mais endemoniada do que já sou, uma vez que eu já expliquei aqui que a escrita de certa forma me liberta, agora imaginem se eu não conseguisse colocar em palavras o que eu sinto lá no fundo de minha alma... Seria uma morta viva... Não sei bem, mas creio que bem mais morta do que viva. Não fui a melhor de minha classe, nem a mais estudiosa, mas sempre fui incentivada pelos meus pais a fazer o melhor que eu pudesse com o pouco que eu tinha e assim foi. Estudar nunca foi uma opção, foi obrigação e ai de mim se as notas fossem ruins, era aula particular, não podia sair para brincar, não ganhava o brinquedo que queria no dia do aniversário, era um tormento sem fim, por que comigo era sempre assim, quando eu começava a desvendar algo, uma coisa nova caía em meu colo e a confusão estava formada, foi assim com as equações e com as temidas inequações, com os conceitos de energia, tabela periódica e as suas letras... Falando em letras, quem pode esquecer das aulas de Literatura, gente... E tantos outros conceitos, temas, teoremas, somas, o X da matemática, o X da Biologia... Aí eu fiquei mais do que intrigada com a história de uma menina que levou um tiro na cabeça porque se levantou contra um regime que não queria que ela estudasse. Sério? Uma menina que se recusou a ficar em casa e ser mais uma no regime das Burcas e do radicalismo! Fiquei com vergonha de mim por todas as vezes que eu desdenhei deste meu direito. O atentado aconteceu há dois anos no Paquistão e foi um ataque Talibã a voz daquela menina. Mas essa voz não se calou pois ela sobreviveu e hoje a paquistanesa Malala Yousafzai recebeu o Nobel da Paz. Um país pobre, devastado pela guerra, conhecido pelos assassinatos aos seus líderes políticos, cercado pela milícia e no meio de tudo isso uma pequena esperança, uma luzinha no fim do túnel mostrando que nem todos precisam dizer sim e que nem todos precisam ser exatamente o que esperam de nós ou o que querem que sejamos, podemos ter uma voz e essa moça tem, ela fala baixo mas muito claramente sobre o que quer para o futuro... Educação para o seu povo, principalmente para as mulheres. Claro que no caso dela, esse sonho quase custou sua vida e provavelmente custe, pois os radicalistas não esquecem os seus targets, mas ela deixou uma marca no meio do monte de insensatez que temos nesse mundão. Ela hoje tem 17 anos e junto ao seu pai, um outro apaixonado pela educação continuam levantando esta bandeira... Hoje foi a entrega do Nobel e foi Incrível! Separei um link com uma entrevista que ela concedeu a Christiane Amanpour da CNN antes de saber que seria ganhadora do Prêmio Nobel... Eu acho lindo o que ela fala, como ela fala, não tem ódio, não tem revolta e quem sabe um dia ela realize seu sonho. Que assim seja! http://youtu.be/aKIQ_AyLi30

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