O que falar quando tudo já foi falado?
O que fazer quando ninguém quer fazer nada?
Eu entendo o desespero por liberdade, eu ganhei um abraço ontem depois de quase 3 meses sem contato com ninguém e senti o quanto precisamos das pessoas a nossa volta, mas isso que fiz, mesmo que seja uma atitude perigosa dada a nossa situação pandêmica, mostra que somos fracos, mostra nossa necessidade quase que doentia de nos aproximarmos, de nos relacionarmos, na minha opinião, deveríamos nos dar por satisfeitos por nossa companhia, mas acho que o que nos faz humanos é essa necessidade de aconchego, de pertencimento não só falando de ligações, whattsup, mas aquela de repousar o seu sentimento nos braços de alguém que nos faz sentir vivos.
Dito isso tudo acima, vamos aos fatos.
Não podemos fazer isso.
Nao podemos no meio de uma pandemia sentir que é certo distribuir nosso amor por aí, é irresponsável e até certo ponto ignorante.
Esse é um luxo que vamos precisar nos privar.
Agora sair e nos divertir um pouco, encontrar os amigos e beber e sorrir, sem máscaras, nenhuma máscara, tá na hora disso?
Eu vivi um período muito complicado onde eu achava refúgio em qualquer lugar, menos em minha casa e saia para tentar encontrar a paz que me faltava, não estou mais nessa situação, mas imagino como deve ser ficar trancafiado em um lugar onde você não possa respirar (emocionalmente falando), mas nem todos vivem essa situação de fuga, as pessoas estão vivendo como se o mundo estivesse normal, como se o amanhã estivesse garantido.
Não está!
Eu fico muito abalada cada vez que saio de casa, ontem mesmo quando fui buscar areia para os gatinhos, já achei que estava ficando com gripe, tamanha a minha preocupação, mas o que passa na cabeça de quem luta contra a realidade?
Eles precisam ficar doentes para saber que estão sob um perigo real?
Precisam perder entes, amigos?
Precisam fazer parte dos números?
Porque das festas que andam acontecendo será daí mesmo onde virão os novos casos, dali virão os novos números, mesmo você não sendo cidadão, mas sim um engenheiro civil, essa doença dá carteirada acima de todas as outras carteiradas.
Então fica aqui minha tristeza escancarada pela falta de remorso e sororidade desse pessoal.
Que os mortos sejam respeitados e que os vivos, marchem de volta a sua condição de racionalidade, escondendo-se em cavernas onde repensem um pouco sobre moral e civilidade, onde entendam que moramos em nós mesmos.
Daremos os abraços que estamos sentindo falta, mas os daremos em quem estiver entre nós ainda, por isso cuidem-se, porque chorar um abraço que se perde para sempre é a coisa mais dolorida desse mundo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário