quarta-feira, 20 de maio de 2020

A dor de uma família tradicional brasileira

O crime contra o João Pedro nunca aconteceria em Higienopolis, isso é fato.
Um policial armado entrar armado com um fuzil na casa de bacana para uma averiguação que seja, não rolaria.
Temos o DIREITO que funciona em alguns lugares.
Estamos protegidos. 
Até quando? 
Quando eu leio sobre esse tipo de crime, sobre essas injustiças, me vem à Erin Brockowich na cabeça, manja, uma mulher de talento, já viram esse filme?
Esquece toda a história e me deixa só com a memória que ela tem e com o senso de justiça, o diploma eu incluiria na história, porque se ela fosse advogada, nuossa, Jesus! 
Eu queria ser a Erin e defender a família do João Pedro, que foi assassinado pela Polícia do Estado do Rio de Janeiro DENTRO DE CASA!
De novo, ele tomou um tiro na barriga DENTRO DE CASA.
Não vou falar sobre desigualdade social, sobre a cor da pele do João e nem sobre o despreparo da polícia, eu vou falar sobre como seria se a justiça aqui em nosso país realmente funcionasse e eu realmente fosse a Erin.
Bom, primeiramente eu já pediria R$100.000.000,00 de indenização ao Estado pela ação mal planejada, fiz uma conta rápida aqui e acho que é um valor justo, pois tenho um plano.
O objetivo seria entrar em contato com a família de TODAS , isso mesmo TODAS as crianças que morreram assassinadas por bala perdida e levar o caso de todas elas como um só, como no caso do filme onde a água estava contaminada e por motivos óbvios você não pode processá-la porque ela não se auto contaminou, processamos então, o que causou a poluição, mas deixa eu ser mais clara.
Uma empresa meio que por debaixo dos panos despejou um produto químico cancerígeno na água e para despistar as autoridades, colocou em seus relatórios que estava usando um irmãozinho bonzinho deste produto, ou seja, todo mundo que entrava em contato com a água em um período extenso de tempo, acabava desenvolvendo um tipo de câncer maligno e ela descobriu isso e botou pra foder.
Bom, no caso das crianças claramente o agente cancerígeno está sendo derramado pelo Estado há anos na vida das pessoas.
A água aqui é o conjunto de medidas sistematicamente implementadas pelo estado para que o povo pobre fique confinado nas favelas á mercê de qualquer desgraça, o Estado quer as pessoas pobres longe dos grandes centros e nunca combateu a construção de favelas, pelo contrário, a uma nova ocupação que da certo, vemos postes sendo instalados, ruas asfaltadas, meia boca sim, mas asfaltadas, não há política de integração nem de urbanização, quanto piores as condições, mais rápido eles somem, seja pelas mãos de traficantes ou de milicianos, seja pelo acesso a escolas sem nenhum acesso, caóticas e mau administradas que em minha opinião visam somente o cumprimento de tabela, convivendo com esgoto a céu aberto, falta de acesso à cultura, vítimas de ações policiais descontroladas porque alem de um treinamento ruim, esses servidores não tem a disposição uma política de saúde mental, nem reciclagens obrigatórias incluindo cursos sobre a importância do trabalho que exercem, bem como a importância de todos os civis que devem ser tratados como iguais conforme a lei, alem de melhores salários e treinamentos atrás de treinamentos para melhorar a acurácia em suas ações. Essa população, além de viver em casas empilhadas, divididas por vielas que aumentam a chance de todo tipo de má sorte as quais já ouvimos falar mais do que umas vezes em nossos noticiários, ainda tem a certeza de que se sobreviverem, seus filhos podem não ter a mesma  sorte.
Pois bem, essa é a água cancerígena que o Estado fornece ao seu povo, ele é o agente poluente, por isso, levaríamos o caso não só para ganhar, mas para mostrar esses rostos novamente , o máximo possível.
O ganho no processo seria se essas crianças não fossem por nós esquecidas...
Que os policiais se redimissem e confessassem que recebem ordens para matar,  apontando o dedo para os que realmente mandam nas operações, até chegarmos naqueles que não servem para servir e aí o ciclo estaria completo, seria o primeiro exemplo do que acontece quando não se leva em consideração a única parte da equação inteira que tem valor, que é a vida.
A vida de filme inspirado em história de primeiro mundo é da hora né, o resto é tudo Bacurau mesmo....
João Pedro silenciou e deixou o vazio pertinente ao de um adolescente de 14 anos, seu pai o chamava pelo vidro do caixão, me pareceu a maior dor do mundo e acho que nem R$ 100.000.000,00 de reais e água potável o ajudaria, mais no dia que a justiça se impuser e deixar de ignorar nossos pretos e pretas, favelados e desolados, nenhum pai ou mãe vai ter que enterrar um filho com uma bala da polícia alojada em sua barriga.
Descanse em paz!

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