quinta-feira, 30 de abril de 2020

Que lockdown é esse meu povo?

Nosso secretário da saúde não sabe porque não há completa adesão da população nesta terrível crise, ou melhor, ele não entende aonde estão as pessoas que fazem parte dos quase 49% que não ficam em casa de jeito nenhum, onde moram e por que insistem em rodar por aí?
Pois eu te explico Sr. Secretário... 
Prazer em conhecê-lo, SOMOS NÓS os que ainda estamos trabalhando... sim, trabalhandoooooo!!!
Ou o sr acha que os pães se assam sozinhos? 
Ou as fraldas, os cafés torrados, as válvulas e os vinhos são feitos por ninfas que trabalham no telemarketing e entregas místicas?
As máscaras, os tapetes, as rodas, os carros e caminhões, os tubos, o suco de laranja, a cachaça, o remédio para dor de cabeça, as vassouras, os absorventes, as canetas, o álcool em gel, o papel,  as tomadas, os pratos e o cimento são feitos na técnica de produção e entrega pirlimpimpim?
Já pensou a tragédia que seria se em sua quarentena eles não entregassem a sua Coca Cola em seu próximo delivery?
Nem o seu cigarro, ou até mesmo o seu cookie?
Já pensou no neném sem fralda, a doida sem o calmante e o calmo sem o seu estimulante?
E ainda mesmo, os pets sem comida, você sem arroz e o vizinho sem feijão?
A máquina não funciona sozinha.
Bom, pelo menos ainda não, porque mesmo que a fábrica seja a mais moderna possível, sempre tem que ter alguém para apertar nem que seja um botão...
A energia precisa ser produzida e cabeada para chegar em todos os lugares, a água precisa ser encanada, o plástico continua virando garrafa pet, o leite continua sendo tirado das vacas e acondicionado em embalagens que são comercializadas, os relógios ajustados e os navios finalizados. Nem o dinheiro aparece, meu querido, pois se o papel não for colocado na máquina, ele não vira essa nossa morda tão desvalorizada, tadinha!!!!!
Ou o Sr. acha que as indústrias param, mesmo quando não chamadas de serviço básico?
Veja, sem os itens que mencionei acima, os serviços básicos não funcionam, então deveríamos entender que a classe que chamaremos aqui de operacional, faz parte da cadeia de suprimentos para a atividade básica!
Então Sr. Secretário, a população não parou completamente porque está inserida nos meandros dessas cadeias produtivas e somos os que silenciosamente continuamos a viver com a gripezinha ao nosso redor, sem poder parar de trabalhar para continuar abastecendo o sistema. 
Ninguém fala de nós, somos como os tatus brasileiros, todos sabem que há tatus enterrados por aí e até que em uma certa abundância, mas não o  encontramos ou quando isso acontece, é, na maioria das vezes, depois que o tadinho do bichinho foi atropelado... Igualzinho a nós...Só nos veem quando sangramos.
Não houve um diálogo uníssono de como atender a todos durante essa pandemia e isso é um problema sério em um país que nunca teve nenhum grande desafio como guerras em território nacional, ou pestes, ou vulcões explodindo e tsunamis varrendo suas praias.
A grande tragédia da pandemia em território nacional é que nos mostra que as coisas ficam e as pessoas se vão e daí, como diz o nosso presidente?
E daí, é que eu considero todas as vidas importantes e me afeta saber que alguns tem mais chance de se proteger do que outros, me afeta as falas, a ignorância e os olhos fechados para a realidade.
Me irritam as pessoas idiodificadas, sim, essa palavra nova criada agora mesmo, gente na rua em festa, se aglomerando de propósito ou como se nada perigoso nos rondasse, pessoas que poderiam se proteger para nos proteger e para proteger os seus, mas que não ligam, porque não tem a palavra de comando que os façam ausentar-se e por isso os considero burros como pedra, os novos idiotificados de plantão.
Voltando ao assunto, abastecemos para garantir a continuidade do processo e ninguém sabe onde estamos, ou quem somos, mas somos aqueles números do jorna, aquele que cresce a cada dia, somos o susto da quantidade de doentes e mortos, mas só um susto e um número, como sempre! 
Morreremos todos um dia você me diria, e sei disso, se sobrar mão de obra a máquina continua, ela não para para chorar os mortos, só chorarão as mães que ficarem, os filhos, os pais, os amigos e a roda girará, muito parecida com um jogo de roleta russa aonde a arma está apontada para sua cabeça e o pensamento antes da possível tragédia, essa bala é para mim? Chegou a minha hora?
Espero que não!

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