sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

R$ 0,05

Vi um moço limpando os para brisas de alguns carros e comecei a procurar como uma louca por algumas moedas que eu sabia que tinha espalhadas pelo carro, virei o console de ponta cabeça e achei uma moeda que achava que era de R$ 1,00, buzinei e chamei o homem e ao segurar firme a moeda, constatei que era mais leve... Não era de R$ 1,00, mas sim de R$ 0,05...
Eu olhei para frente e ele vindo em minha direção, na hora fiquei um pouco encabulada, mas era a única ajuda que eu achei naquela hora, ele iria entender...
Não, ele não entendeu.
Na verdade ele achou a minha atitude uma afronta, me xingou, desdenhou do trocado que eu dei e até me ameaçou, eu pedi desculpas e disse que minha intenção não era ofendê-lo, mas sim ajudá-lo, ele se virou, voltou e mandou eu ir com Deus...
Eu não sei onde erro na maior parte do dia, eu encaro meus erros sim, mas sempre depois que alguém me pára e fala, porra Carol, não é assim que funciona, diminui um pouco, começa de novo e vai, eu dou desculpas aos meus impulsos e muitas, muitíssimas vezes, faço e refaço os mesmos erros, por isso estou acostumada com criticas, estou acostumada com pessoas me dizendo que eu fiz ou disse algo não muito legal, estou acostumada a pedir desculpas e também acostumada a revidar, se acho que algo não estava de todo errado, ou se a intenção foi boa, mas nesse dia eu finalmente percebi que nem sempre, o que você tem ou o que você quer que o outro receba de você, mesmo que na boa intenção, na mais sincera atitude, será recebido de uma maneira positiva.
Eu calei e fiquei muito decepcionada com tudo.
Me decepcionei pela minha intenção quase que megalomaníaca de oferecer ajuda, qualquer uma, mesmo a quem não me pediu nada, veja bem, ele estava tentando fazer a parte dele, ele estava limpando os vidros dos carros, não estava pedindo dinheiro, de certo ele queria ser útil e se sentiu diminuído com o que ofereci.
Me decepcionei comigo mesma porque eu não consegui ser calma ao ponto de relevar as palavras daquele ser todo despedaçado e seguir em frente, minha dor e minhas dores não são nem de perto as mesmas dessa pessoa, eu devia relevar e esquecer, nem todos precisam de ajuda, das migalhas que podemos dar, então vem a pergunta, por que damos migalhas aos outros?
Talvez porque seja a única coisa que tenhamos para dar, talvez porque seja o que está a mão e ninguém é obrigado a aceitar e isso certamente não vale só para dinheiro...

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