E mais um dia clareou com sol quente, muito quente, quente ao ponto de você sentir saudades do inverno, sabe? Mais ou menos igual quando está muito frio e você sente aquela saudades do calor, resumindo, a mesma coisa.
Mas enfim, estou decidida a fazer pequenas coisas para todos ao meu redor, pequenos gestos que me ajudem a recuperar o meu final de semana limão azedo, tento deixar pelo menos o domingo um pouco sabor de bala de goma, acordei decidida e vou conseguir fazer tudo ficar bem, isso tudo estava para se realizar, até a hora que decidi descer a escada e encarar a real… A triste e crua realidade…
Cenas do dia a dia familiar, desço e a falta de ar da minha mãe já está em alta... Ela já está nervosa e isso as oito da manhã...
Começo a me mexer, descasco umas batatas, quero honestamente ser uma filha melhor e eis que minha mãe começa a delegar tarefas, no que eu paro e penso, que ás vezes é necessário mandar um vai para a puta que o pariu, poxa, tive que tomar Rivotril para tentar me acalmar e dormir na noite anterior e ainda me vejo transformada na porra da Cinderella… Mas eu tinha uma promessa, eu ia ser melhor… Disse bem, ia …
Não, essa foi minha resposta e a proposta de um dia melhor começou a ir por água abaixo quando eu escuto um vai para a puta que o pariu partindo do outro personagem, meu pai que em busca de atenção aos seus problemas, fica indignado com a falta de vontade da minha mãe em escutá-lo. Esse puta que o pariu me colocou em um lugar meio nebuloso, afinal, todos temos que lutar por dias melhores, todos devemos nos esforçar e engolir os fodam-ses diários.
Quando tudo está uma bosta, eis que eu subo e começo a escrever e ao me concentrar sou chamada mais do que prontamente a realidade com um alto e sonoro FILHAAAAAAA, porque a voz quando é para pedir alguma coisa, funciona que é uma beleza. Ao que eu repondo: QUE QUE É? E a pergunta refere-se a uma receita de um remédio que não precisa de receita, assunto esse que já foi debatido diversas vezes e no que me preparo para responder isso pela segunda vez só hoje, aí o novo personagem introduzido na história, o meu pai, grita: EU NÃO VOU COMPRAR REMÉDIO NENHUM POIS EU NÃO TENHO DINHEIRO e a sugestão que minha mãe dá é: “PODE USAR O MEU CARTÃO” e a resposta é: " EU NÃO VOU USAR CARTÃO PORCARIA NENHUMA".
Esse diálogo de merda poderia ter sido evitado se minha mãe, psicótica como ela só, tivesse ouvido eu falar as oito da manhã, quando eu ainda estava bem e com o coração metade aberto às mudanças, que eu compraria o remédio para ela no dia seguinte com o cartão da farmácia que já caia direto no meu pagamento...
Mais não, ela só ouve o que ela diz e eu já deveria ter me acostumado com isso.
Meu pai sai, a casa fica em silencio por alguns instantes e eis que não há nada a ser feito, já que eu adiantei todo o almoço e estou somente esperando a muçarela da vendinha ser entregue para colocar a comida no forno, mas essa espera consome minha mãe que começa, sozinha, a falar alto coisas do tipo: DEUS, POR QUE DEUS? POR QUE? E choraminga um pouquinho sem lágrimas nos olhos... Dois minutos depois, ela liga novamente para a vendinha e pede, com a voz mais calma do mundo que eles entreguem o queijo para que possamos terminar o almoço, como se ela não tivesse invocado todos os santos minutos antes. Desliga o telefone e xinga o cara. Depois de uns dois minutos começa novamente uma conversa com Deus, que é interrompida por quem? Pelo moço da vendinha que provavelmente já estava no caminho da entrega... E sei disso porque um segundo depois ela me grita para que eu possa terminar o almoço...
E assim o dia passa, o almoço até que fica bom, mas a digestão não é boa, depois de interagir sempre com os mesmos gritos, as mesmas invocações, os mesmos bordões, tudo o que você tenta construir para que o seu dia seja melhor, todo esse esforço cai por água abaixo…
A noite chega e com ela a esperança de um novo dia, a oração é simples, que eu consiga acordar e ser o meu melhor, que os espiritos bons, impeçam os ruins de tentarem me tirar de meu objetivo e que se isso não for possível amanhã também, que eu tenha forças para continuar tentando… Mesmo contra todas a adversidades…
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