Nota, eu não vivo sem música, mas preciso comer e beber também, então coloquemos os três itens como sendo de sobrevivência básica.
Quando não se tem nada o pouco vira muito e vamos incluir nesse pensamento as continhas do mês então imagina como fica a vida dos desempregados, porque eles continuam fazendo parte do mundo, mesmo sendo negados pelas pesquisas que insistem em dizer que o numero de desempregados em nosso laureado país está diminuindo...
Agora para foder, imaginem este cenário para os artistas desempregados, aí é de morrer de fome e de sede, na boa.
É confuso pensar que em um país como o nosso ainda existam pessoas como eu que se preocupam tanto com o desmantelamento das orquestras e por ser um assunto que diz respeito ao meu dia a dia me torno essa exceção, vou lá, replico as notícias dos sites, faço blog, reclamo para todo mundo, mas creio que deva ser confuso para algumas pessoas entender como isso é relevante, pois afinal de contas temos falta dos itens básicos de sobrevivência e os de necessidade básica, como saúde, saneamento e aí meus queridos, o povo não está nem aí se a orquestra x ou a orquestra y está ou não com os dias contados... Mas essa situação bate à minha porta.
Na verdade já bateu...
O problema é que com a falta de "zelo" da população pelas suas orquestras os responsáveis pela manutenção dessas instituições, se esbaldam nas demissões com a desculpa de que o dinheiro poupado com as demissões será utilizado para atividades que abranjam um numero maior de pessoas.
Muitos tem em suas mentes o conceito de que poucos se interessam pela música sinfônica e as que tem algum interesse, são aquelas que possuem o ouvido treinado para isso, ou seja, só quem está exposto a este mundo e creio que haja dois mitos nesta frase, o de que a arte deva ser segmentada e compartimentada em castas e o mito do que o dinheiro poupado será utilizado em outras ações.
As duas afirmações são falsas e aí quem está falando isso sou eu mesma, a filha do musicista desempregado.
Para que precisaríamos da música sinfônica em nosso dia a dia?
Para mim não importa, a música é a cor de todos os sentimentos e de todas as horas, o que muda é só o gosto musical.
Os instrumentos se calam e sem pessoas para manuseá-los não há música...
E que mundo triste ele seria, não?
A maioria considera as orquestras um luxo do estado que os poucos privilegiados podem usufruir, mas isso não é verdade, existem concertos de graça tanto em teatros como em espaços abertos, fazer parte dessa vertente da arte muitas vezes é uma questão de escolha ou de vontade, seria a oportunidade perfeita de conversar com a musica e perceber a sua beleza, só que em um outro ritmo.
Incrível como um piano diz eu te amo como ninguém, como um saxofone te envolve nas nuances do ritmo, a flauta te faz flutuar, o violino te remete a este ou aquele lugar e todos esses instrumentos juntos te levam para todos os lugares, sem você sair da sua cadeira, você consegue viajar com a sua emoção, com o sentido da audição você volta para os lugares de onde não queria ter saído, o som te leva longe...
Incrível como um piano diz eu te amo como ninguém, como um saxofone te envolve nas nuances do ritmo, a flauta te faz flutuar, o violino te remete a este ou aquele lugar e todos esses instrumentos juntos te levam para todos os lugares, sem você sair da sua cadeira, você consegue viajar com a sua emoção, com o sentido da audição você volta para os lugares de onde não queria ter saído, o som te leva longe...
E outra coisa, a música é para todas as famílias desses musicistas a comida no prato, é a educação, a água encanada, o remédio, é a nossa vida, nesse caso não há luxo nenhum envolvido no processo, é só a vida como ela é.
E olha que eu estou falando somente dos musicistas, mas a situação dos artistas de um modo geral está igual, na verdade muito pior do que sempre foi, todos conhecem algum artista que teve que ir tocar fora ou dançar fora para poder ganhar algum dinheiro, notório que só tem sucesso no mainstream quem aparece na novela ou estoura com algum one hit wonder, o restante, vira quase sempre caminho para o ostracismo.
Como eu disse acima, não precisamos de nada além de água e comida, mas de verdade, a vida seria uma grande bosta se a arte não fizesse parte das nossas histórias, seria um inferno de pessoas falando e outro inferno de pessoas escutando ou mesmo o silencio de uma casa vazia, ou a falta de companhia na hora da limpeza, ou na hora da fossa, ou na hora da felicidade...E olha que eu estou falando somente dos musicistas, mas a situação dos artistas de um modo geral está igual, na verdade muito pior do que sempre foi, todos conhecem algum artista que teve que ir tocar fora ou dançar fora para poder ganhar algum dinheiro, notório que só tem sucesso no mainstream quem aparece na novela ou estoura com algum one hit wonder, o restante, vira quase sempre caminho para o ostracismo.
Para mim não importa, a música é a cor de todos os sentimentos e de todas as horas, o que muda é só o gosto musical.
Os instrumentos se calam e sem pessoas para manuseá-los não há música...
E que mundo triste ele seria, não?
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