sábado, 11 de março de 2017

Não somos obrigadas a nada!

Semana do dia das mulheres, quanta comemoração... Bombons, flores, declarações, tiração de sarro das boas, delícia receber carinho só pelo fato de ser um ser humano com periquita....
Sério, que da hora, kkkkkkkkkk
Mas a vida não é tão assim, digamos, florida para nós as donas da porra toda, pois somos divididas em grupos muito distintos, na verdade somos incluídas, muitas vezes por nós mesmas, em categorias ou como gosto de dizer, subcategorias, como as mulheres que são muito chatas, as que são muito fáceis, as que são dispensáveis, as que são para casar, as que não se controlam, as que são muito lindas e burras e aí vai.
Eu prefiro pensar que para atingir a igualdade de gêneros em primeiro lugar deveríamos desmistificar a mulher, não existe um bicho, um feitiço, uma mulher é só uma mulher, assim como um homem é só um homem, cada um com suas qualidades individuais, necessidades, maluquices, suas cores, só não voamos como por exemplo, as borboletas porque na realidade só nos preocupamos com os pés no chão, nas convenções e nos julgamentos, cortamos nossas asas diariamente, nos diminuímos, nos alfinetamos e esquecemos de evoluir em pensamentos, em atitudes, ficamos mesquinhos e bobos, presos a convenções da carcaça a qual a genética escolheu nos colocar, pena de nós, muita pena...
Sabe aqueles comentários do tipo, eu nunca te estupraria, você não merece respeito porque se porta de tal maneira ou se veste de tal maneira, você não pode contrariar, você deveria sorrir mais para que as pessoas gostem mais de você? Já ouviram essas coisas?
E o assédio?
Tipo estar em uma festa e alguém passar a mão em sua bunda?
Alguém aí já passou por isso?
E ser julgada pelas pessoas mais próximas por conta de seus erros? Já escutaram assim, porque você não se coloca no seu lugar?
Só um detalhe amiga, eu me coloco onde eu quiser e isso não tem nada a ver com o fato de eu ser mulher e sim, porque eu pertenço a esse mundo e nele eu perambulo na hora e como eu quiser...
Ser julgada pela sua fala, pelos seus interesses, afff, tô cansada só de escrever essas coisas...
Já fiz vários blogs sobre a violência contra as mulheres, mas a maior violência contra nós é a impunidade, como pode um cara matar uma moça, cortar seus pedaços, dar pedacinhos seus aos cachorros, depois cimentá-la, ser julgado, condenado e sair da cadeia em seis anos por bom comportamento?
O detalhe que a justiça não aprecia nas intermináveis audiências é que a família dessa pessoa nunca pôde enterrá-la e que o filhinho que ela deixou crescerá sem mãe...
Mas as pessoas estão preocupadas porque ela era prostituta, atriz pornô, maria chuteira, o caralho a quatro, a opinião da maioria das pessoas é que ela mereceu o final que teve...
Eu escutei não só de uma pessoa, mas algumas balbuciaram essa bosta sobre esse crime horrível...
A vítima em lugares do mundo onde há civilidade, sempre será a vítima, aqui ela sempre pede para receber o final mais trágico possível, se for mulher ainda e sexualmente ativa então, fudeu...
Meninas más não recebem perdão de nossa sociedade.
E não pára por aí, no mundo todo há vários casos famosos de mulheres assassinadas porque querem ser independentes, porque querem se separar, porque querem estudar (lembrem da MALALA, nunca esqueçam dessa mulher maravilhosa e de toda a sua história de luta contra a opressão) e finalmente, porque sim.
E as mutilações? E os casamentos forçados? E os estupros coletivos? E a gravidez originária desses estupros?
Pessoas maldosas não tem sexo, elas vêm em todos os gêneros... Mulheres matam também, gays matam, travestis, bissexuais, creio que se você têm probleminhas mentais, independente de seu sexo, você é capaz de atrocidades, reforço, isso não tem sexo.
O problema é que quando estudamos os casos de assassinatos de mulheres a motivação é sempre a mesma, o ódio contra as decisões que elas tomam, o ódio contra o não, o ódio contra alguém que deve viver subjugada a você e que não pode de maneira nenhuma se libertar e ser feliz.
Agora quebrando o clima pesadão, li uma reportagem um tanto quanto diferenciada e acreditem, existe um jeito da mulher se safar de ser assassinada por ex doente e o recurso é se o atual matá-lo, parece piada, mas não é...
Medida cautelar restritiva, BO, mudar de endereço, nada disso adiantou, o ex a encontrou e foi atrás de anular a pessoa que teve a audácia de ir embora e pior, arranjar um novo amor, mas ele não contava que ela teria proteção desse cara que estava presente na hora certa e teve a reação correta para evitar a tragédia anunciadíssima há algum tempo...
Segue reportagem para quem ficou com dúvidas sobre o que estou falando...
http://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2017/02/homem-e-morto-em-londrina-apos-invadir-apartamento-de-ex-namorada.html
A violência não é só a física, para as que sobrevivem a violência moral é eterna, nossa justiça tem que redesenhar as consequências dos atos contra nossas pessoas só porque nosso sexo é diferente, não tem como dar desculpas a todos os débeis mentais que fazem loucuras em nome "do amor", um cara que entra na casa da ex e mata a família dela, o filho, a ex e se suicida não pode mais ser lembrado como normal, ele é só isso, um débil mental, um cara que mata os filhos e manda fotos do fato para a mulher, tem que ser apagado da memória da sociedade, ele não deve mais se enquadrar na categoria de ser humano, essas pessoas são anomalias genéticas ambulantes e me desculpem, não culpem a depressão por esses atos, eu tenho depressão e as coisas ruins que faço são todas direcionadas a mim...
Nossa lição de casa para começarmos a pensar sobre igualdade de gêneros seria:
Nossos políticos devem pensar antes de falar que reconhecem nosso duro trabalho frente aos nossos lares, devem parar de dizer que entendemos muito de economia pois observamos a alteração de preços nos supermercados, que devemos nos calar, que não seríamos estupradas porque nem isso mereceríamos;
Nossos chefes não devem nunca endossar colegas que assediam com a desculpa de serem "simpáticos";
Nossos pais, avôs, avós, mães, tias, tios não podem nos tratar de maneira diferente do que aos nossos irmãos para que não nos sintamos inferiores desde o berço só pelo nosso sexo;
Nossas amigas não devem julgar nossas atitudes de maneira alguma, devemos nos unir e nos gostar da maneira que somos, respeitando as diferenças;
E nós não devemos nunca, mas nunca mesmo, nos colocar em nosso lugar, ele não existe, como eu disse anteriormente, devemos estar onde quisermos, nos portar como desejarmos e amar quem quer que seja, temos que ter o passe livre para podermos ir embora e até quem sabe voltar por nossa escolha e não pela conveniência de ninguém.
E lembrem-se:
Se eu não te dou atenção, eu não sou fria, eu simplesmente não gosto de você;
Se eu sorrir para você, não estou tentando te seduzir, estou sendo simpática;
Se eu usar decote, não estou tentando chamar a sua atenção, sou bonita e minha blusa realça essa condição;
Se eu usar coturno não sou necessariamente sapatão, isso pode significar que eu amo botas;
Se eu não te der atenção, por favor, a procure em outro lugar;
Se eu usar maquiagem, pode ter a certeza que isso não te diz respeito.
Não somos obrigadas a nada, coexistamos em paz e se não houver simpatia pelo menos que haja respeito, isso não custa nada e pode ser facilmente assimilado através da empatia, se você tratar os outros como gosta de ser tratado, será fácil fácil você parar de ser um imbecil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário