quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Bolsonaro mania

Tem coisas que escutamos que não dá para "desescutar" (palavrinha nova para vocês...), às vezes tão absurdas que acabam impressas na mente como tatuagens psicológicas manja... Tipo, quantas tatuagens você tem? Nossa várias, mas você quer saber de quais? Das do corpo ou as da mente?
Coisas que você escuta falar mais nunca presencia manja, meio lenda urbana como a Loira do banheiro, como aquelas pessoas que acham um dedo humano dentro da lata da Coca-Cola ou um rato no saquinho da batata frita ou até mesmo um dente no panetone.
Mas a minha história não tem nada a ver com boatos não, na verdade essa é a história de uma amiga minha que por coincidência também se chama Carol, Carol essa que passou por uma situação no mínimo constrangedora, por assim dizer.
A Carol é uma menina cheia de opiniões e isso já a colocou em tantas encrencas, porque ter opinião diferente da maioria em alguns momentos te rotula como uma pária, uma chata, mas ela sempre foi assim, nunca aprendeu a ser e pensar igual aos outros, continua opiniosa esbanjando antipatia por aí.
Bom, ela me contou que um certo dia estava conversando sobre uma noticia de um atleta de uma das delegações que estão no Rio para os jogos olímpicos, que tentou estuprar uma pessoa e que por este motivo o mesmo havia sido expulso desta comitiva e estava voltando ao seu país de origem. No que ela terminou de contar este fato, um de seus coleguinhas replicou que as mulheres brasileiras fazem isso de propósito, que elas fazem esse tipo de coisa para conseguir um gringo endinheirado e como a imagem das brasileiras fora do país é a da bunda de fora, com os peitos de fora, ela meio que teve o que pediu... Depois de ouvir isso a Carol afirmou que estar no lugar errado com a pessoa errada não aliviava a culpa do homem maldoso, que ela por exemplo já saiu muitas vezes desacompanhada, decotada ou toda vestida, com saia, de calça e que isso não era condição favorável ao estupro, ao que o seu coleguinha responde a ela, Carol eu nunca te estupraria...
Acabou a discussão ali, não há argumento depois que você descobre que a pessoa pensa que pode escolher cometer ou não um crime... Não há desculpa para essas afirmações bolsonarianas, não tem mais como falar com pessoas que acham que tem o direito de "escolher" se te estupram ou não...
Eu falei para ela o que falo para vocês agora, que esse é o tipo de argumento que você usa para destruir a pessoa na sua integridade, como mulher, como pessoa e no final você ganha a discussão com a famosa pegadinha, quer ver como eu calo a boca dessa porra dessa feministinha de bosta em 5 segundos? Aí a pessoa pega e vomita frases feitas e já era, durma com um barulho desses.
Eu tentei confortá-la pois ela ficou muito envergonhada com o comentário e as piadinhas que se seguem sempre que alguém erra feio, porque o objetivo é que a vitima sempre se sinta como aquela que chamou para si o assédio, a violência... Com medo de que ninguém fosse entendê-la ou mesmo ouvi-la, ela se calou, mas sempre há consequências para o silêncio é como se ele fosse por si só a segunda violência.
Bom gente, para quem quer saber, a Carol está bem, ela só está um pouco indignada ainda, mas essas coisas passam pois como toda mulher que se preze, ela enterrou dentro de si esse episódio junto com todos os outros ruins que ela já passou em sua vida e fingiu que estava tudo bem, mesmo porque  vai que se ela reclamar muito a pessoa possa mudar de ideia e reconsidere o estupro como alternativa... Vai saber...

Segue o endereço de algumas notícias onde claramente vocês encontrarão relatos de mulheres que pediram para serem abusadas mentalmente e fisicamente, ahhh essas mulheres...

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/05/deportes/1470413887_055773.html

http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/08/porta-bandeira-da-namibia-e-preso-por-tentar-beijar-camareira.htm

http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/08/07/me-perguntam-como-sou-musa-se-sou-baixinha-e-gordinha-diz-esgrimista.htm

http://espn.uol.com.br/noticia/620664_joanna-desabafa-apos-ataques-em-redes-sociais-brasil-e-muito-racista-e-machista

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