sábado, 23 de julho de 2016

MENINA DOCE

Uma menina doce, como alguém um dia a descreveu, doce e linda, que de repente começou a sumir.
Sumir, simplesmente assim, sua força começou a esvaecer e sua felicidade escorria pelos seus dedos e ela não conseguia controlar nada disso.
Ficou tudo confuso, a praia tinha cara de cidade, a cidade tinha cara de casa, a casa tinha cara de trabalho e o trabalho não era mais nada, além de trabalho.
Notas de uma pessoa pedida dentro de sua dor maior, aquela dor que estagna e não passa.
No final ela só vai ficar igual a tantas outras meninas doces que conheci, vai ficar lá, parada, vendo o tempo passar, as pessoas se movimentarem, os rios continuarem seus cursos e assim por diante.
Seria romântico se não fosse de certa forma trágico, como que uma pessoa saudável, esperta, inteligente, amada e doce, pode cair no abismo da depressão? Como que essa doença leva com ela pessoas que tem tudo para ser tudo? Como que isso funciona?
Será que é predisposição genética?
Será que a vida desregrada, muito trabalho, pouco descanso e muita preocupação pode desencadear as dores da alma?
Ou será que ter muita alma, faz com que haja a manifestação da mesma, mas aí vem a pergunta, porque algumas pessoas têm isso e outras não?
Parece uma maldição, olhar no espelho e ver alguém que não está ali, os olhos perdem o brilho e não há nada em nossa frente, só uma carcaça... Mas se somos pura alma e ela está falando conosco mesmo que de uma forma incorreta, onde essa alma foi? Onde ela está quando mais precisamos?
O que dói?
Nada. Tudo.
O dia bonito é bonito demais e o feio, ahh esse é tão feio...
As pessoas incomodam, sua felicidade, suas palavras, mesmo aqueles que conhecem e sabem pelo que estamos passando parecem ET's que servem para tirar de nós o pouco de paciência que esse processo deixa para trás.
É como uma tempestade dentro de nós, como se chovesse toda hora e em algumas vezes nos inunda e as lágrimas ganham a nossa face, mesmo que no momento mais perfeito...
Ouvi outro dia que a depressão era coisa de gente que não tinha o que fazer e eu reagi a la Carol, externando a minha dor e pedindo para que a pessoa me explicasse o porque eu queria me sentir assim, porque eu queria ser tão fresca...
Eu não sei se a pessoa estava certa e eu errada, mas a verdade disso é que ninguém quer lidar com coisas que não conseguem controlar.
Um bom exemplo disso é que todos falam do amor e das coisas boas que ele trás, mas ao menor sinal de conflito alguns já pegam suas malinhas e se vão, todos idealizam o amor fácil, mas já pararam para pensar na complexidade do amor?
Então se o amor, uma coisa boa que todos almejam em suas vidas, assustam alguns e os fazem fugir, imagina uma doença sem eira nem beira, que acontece sem motivo e faz morada na alma?
Quem quer lidar com isso?
Quem consegue te ver?
Quem consegue ficar ali, te esperando?
Quem?
Mas enquanto as feridas não se curam e enquanto não aprendemos a nos conhecer direito e entender que algumas coisas são gatilhos desta luta, seguimos com a promessa de que amanhã será melhor do que hoje, de que uma hora isso também passa e de que a nossa mente nos dará um tempo para encontrarmos dentro de nós a tal da felicidade.
Moça doce, eu gostei de ouvir isso sobre você, uma pessoa doce que está em um momento ruim, mas não é essa fase que determinará o seu caminho, isso será só a ponte que te elevará, te desejo melhoras e que a sua mente te proteja de suas dores de alma.

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