quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

No limite!

Ahhh, as coisas da vida...
Quando você está esperando uma ligação, ela não vem, é meio que Lei de Murphy.
Pode rezar, pode ajoelhar no milho, pode colocar o santo de cabeça pra baixo no copo com água que o telefone não toca.
Eu tenho quase certeza que se eu estivesse aguardando uma ligação de amor, uma ligação me avisando sobre uma herança em meu nome, enfim, qualquer notícia boa que eu estivesse esperando, era capaz do meu telefone não tocar.
Isso é só para ilustrar uma historinha que eu vou contar, é curta, totalmente sem graça, mas é uma daquelas coisas que acontecem na hora errada e com as pessoas erradas, quando elas menos esperam.
Cenário: Minha casa;
Horário; Madrugada;
Personagens: Eu, meu pai, que por sinal está convalescente de uma internação e com a pressão arterial completamente fora de controle, a minha mãe, que tem o sistema nervoso central todo bagunçado, o telefone, esse objeto maquiavélico e os golpistas.
Bom, vou narrar o que aconteceu e os protagonistas dessa história são a Mulher desocupada, fazendo o papel dela mesma, uma desocupada, Sequestrador Fake, fazendo o papel dele mesmo, um sequestrador fake e eu, a otária da vez, fazendo o meu papel de sempre.
Vamos lá.
Toca o telefone uma e quinze da manhã em casa.
Corri para atender.
Era uma ligação a cobrar, gelei...
Quando o telefone toca esse horário você pensa em duas coisas, alguma tragédia aconteceu ou é a mulher do Chamado ligando para te dizer: 7 DAYS...
Respirei fundo e de repente começa a conversa:
Mulher desocupada: Mãe!!! Eles me pegaram, me sequestraram!!! Alô mãe!!
Eu (a otária da vez): Desculpe, você ligou errado...
Mulher desocupada: Mãe, eles me pegaram, mãe por favor...
De repente, o sequestrador fake toma o telefone da mulher desocupada e me diz:
Sequestrador Fake: Sua filha foi sequestrada, eu tô com ela aqui...
Eu (a otária da vez): Me desculpe foi engano...
Sequestrador Fake: Você não está entendendo que eu estou com a sua filha aqui, quer que eu diga o nome inteiro dela e o seu endereço completo?
Eu (a otária da vez): Me desculpe, você ligou errado e dei de presente para ele o tu, tu, tu do telefone, afinal eu precisava dormir e acalmar meus pais, que obviamente não entenderam nada.
Mas o pior é que eu tinha acabado de chegar em casa, se eu demorasse mais dez minutos para chegar e minha mãe tivesse atendido o telefone, provavelmente ela teria passado mal e o meu pai teria comprado crédito para algum vagabundo por aí...
Tenho dó de quem eles conseguiram enrolar ontem.
Bom, depois dessa aventura, meu sono foi embora e comecei a pensar no que eu poderia ter falado para esses marginais, eu perdi a oportunidade de zoar com a cara desse pessoal e pensando sobre isso, eu desenvolvi alguns pensamentos para que eu tenha um melhor approach em uma outra oportunidade e eles seriam:
Mulher desocupada: Mãe!!! Eles me pegaram, me sequestraram!!! Alô mãe!!
Eu (a otária da vez): Filha, eu tô que nem louca atrás de você, não te falei para você ficar em casa e cuidar do seu avô, ele sumiu e agora sua irresponsável?
Mulher desocupada: Mãe, eles me pegaram, mãe por favor...
Eu (a otária da vez): Passa o telefone para o cara que te sequestrou que eu quero ter uma palavrinha com ele...
Sequestrador Fake: Sua filha foi sequestrada, eu tô com ela aqui...
Eu (a otária da vez): Ah, você está com ela, então fica, olha me faz um favor e some com o corpo pra eu nem me preocupar com o enterro... Passar bem! Tu, tu, tu, tu...
O outro approach seria;
Mulher desocupada: Mãe!!! Eles me pegaram, me sequestraram!!! Alô mãe!!
Eu (a otária da vez): Passa o telefone para o sequestrador...
Sequestrador Fake: Sua filha foi sequestrada, eu tô com ela aqui...
Eu (a otária da vez): Se você disser a seguinte frase bem rapidinho, pode vir aqui em casa pegar R$ 500,00, vamos lá:  A aranha arranha a rã. A rã arranha a aranha. Nem a aranha arranha a rã. Nem a rã arranha a aranha... Creio que eu iria ouvir o tu, tu, tu, tu mais do que rapidinho...
Consigo pensar em um último approach, que seria;
Mulher desocupada: Mãe!!! Eles me pegaram, me sequestraram!!! Alô mãe!!
Eu (a otária da vez): Sério? E tem algum gatinho no bando?
Mulher desocupada: Oi?
Eu (a otária da vez): Eles te pegaram como, foi bom??? E provavelmente eu ouviria o tu, tu, tu, mais do que depressa.
Ah, não adianta falar que não há oportunidades, que as pessoas são o fruto dessa zona institucionalizada a qual nos encontramos, nada disso me comove, isso é uma forma de violência, violência a qual, já fomos expostos várias vezes, inclusive uma vez meu pai foi enganado e comprou crédito para os vadios e vadias presos ou soltos que fazem essas chamadas. É incrível o nível das coisas que acontecem e nada muda, é sistemática a caça aos honestos e a marcação para que sejamos irracionais.
Violência dentro de casa, fora de casa, no trabalho, nos relacionamentos, na política e já que não posso ser porta voz de mais nada, tiro sarro do que considero uma puta de uma invasão de privacidade e sigo rezando para que um dia essas pessoas recebam de volta exatamente o mesmo tratamento que dão para nós, nada mais e nada menos.
E enquanto isso estou aqui, ajoelhada no milho, esperando aquela ligação de amor ou a ligação me avisando da chegada de uma bolada de alguma herança perdida... Tenho fé que um dia as coisas não precisarão ser tão cruas e desnecessárias e também de que achemos uma fórmula para combater os abusos e absurdos da vida moderna.

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